Proseando

Manipulação sexual

Querida leitora, É manipulação. Há um objetivo de humilhá-la propositalmente no meio do sexo, para destacar que você não tem o contentado, expedindo um aviso prévio de infidelidade.

Poderia ter sido uma conversa na sala, mas foi na crueldade dos quarto, durante o ato. Na história, ecoa aquela máxima machista: “vou procurar na rua já que não encontro em casa”. Ele forja uma absurda licença para trair colocando a culpa na ausência de libido da parceira. Não duvido que o barraco já não seja fachada para justificar algum caso que esteja acontecendo.

A reclamação sexual quando é feita no coletivo – nós poderíamos melhorar, nós poderíamos criar mais momentos juntos – representa boa vontade. Mas quando ela é jogada exclusivamente no colo do outro trata-se de intencional dominação, a acusação traumatiza. Como se você tivesse a obrigação de satisfazê-lo. Cada um deve cuidar do seu próprio prazer na vida em comum e somá-lo na conjugação das fantasias e da cumplicidade.

Sexo não vem apenas de um dos lados. Depende de clima, de atmosfera, de aceitação, de admiração, de reconhecimento, tudo o que vem faltando da parte dele na relação.

Ele a diminui como objeto erótico, exigindo que fique mais disponível, para a hora que quiser e quando quiser. Força o abuso inventando a sua frigidez. Você não fará sexo quanto tiver vontade, mas somente quando ele sentir necessidade. Entende o perigo? Ele planta o pânico a partir do menosprezo, insinuando que é melhor do que você na cama, que tem mais desejo do que você.

Não deve aceitar ser propriedade dele ou a sua posse, passiva e calada, transando três vezes por semana, sem estimulação nenhuma, pelo medo de perdê-lo, naquela ideia anacrônica de “segurar o marido”.

É vítima de uma mentalidade inaceitável de controle disfarçada de amor, desprovida de igualdade, em que a mulher é secundária, condenada ao lar. A estrutura da residência está inteiramente alicerçada em seu corpo. Nenhuma pessoa consegue manter o casamento sozinha. Os ombros cedem, o coração fraqueja e terminará soterrada por todo o tempo em vão dedicado a alguém e não para si mesma.

Abraço Fabrício Carpinejar.

Professora universitária - Mestre em Administração e Blogueira nas horas vagas. Cada um tem a parte de mim que conquistou. Sou mulher, fera, amiga, bruxa e fada. Só não sou obrigada.

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