Proseando

Equívoco do amor

Querida leitora, Temos uma noção equivocada do amor. Como se ele fosse um tormento, uma tempestade, falta de chão. Essa visão está ligada ao medo de perder e ao ciúme, sentimentos de posse, longe da confiança, resultado da lealdade. Borboletas no estômago são curadas com antiácido. Amor é paz, tranquilidade, serenidade. É não temer as palavras, muito menos o silêncio.

Se nada acontece de anormal, é que encontrou o sossego, encontrou alguém bom, encontrou finalmente o apoio que merece. Estranha a quietude do seu coração, a ponto de achar que é falta, quando é plenitude. Seus desejos andam para trás não por amor, mas por teimosia. O orgulho ferido lembra o amor pois o assunto não sai da cabeça. É um chiclete sem gosto nenhum, mantido na boca por hábito. Não esquecer algo não significa que é bom, vide a obsessão e a neurose, movidas pela desvalia. Está se prendendo a um relacionamento antigo que não deu o que esperava e nem vai dar. Não apaga o ex da sua memória mais devido ao futuro imaginado do que pelo passado de traições e mentiras. Foi uma experiência traumática, jamais inesquecível, tanto que persiste na negação das evidências. Não aceita o término (vingança) e coloca desculpas nas circunstâncias (distância, dificuldades financeiras, desentendimentos da idade) para explicar a ruptura.

Não enxerga o verdadeiro responsável, ainda continua evitando encarar o óbvio: ele está com outra pessoa porque deseja estar com outra pessoa, não foi obrigado ou pressionado. É a decisão dele. Essa história de se guardar para uma próxima reencarnação não é uma jura romântica, porém ordem de despejo: uma forma educada de dizer que não quer você nesta vida.

Abraço Fabrício Carpinejar

Professora universitária - Mestre em Administração e Blogueira nas horas vagas. Cada um tem a parte de mim que conquistou. Sou mulher, fera, amiga, bruxa e fada. Só não sou obrigada.

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