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Despedida da mãe

Morte de mãe é quebra de um simbólico primitivo. É a ruptura com a corporeidade que hospedou nossos princípios. Um desalento. Deixar no túmulo o corpo que também foi meu corpo, fonte que me deu ossos, carne, espírito e sangue.

Outro desalento. Não poder ritualizar a despedida. Vestir o vestido mais bonito, pentear os cabelos, cobrir de flores a mulher que me amou primeiro, altar onde minha infância rezou as liturgias do amor inicial. A pedra foi posta sobre a dança, a festa, o canto, a fome, o conselho e o alívio. Não mais o abraço, não mais o olhar que me sabia de cor. Ainda que a fé me faça crer no reencontro, o intervalo entre a espera e o abraço é puro desconsolo. Grito o que muitos já sabem: mãe não é sepultável.

Pe. Fábio de Melo.

Professora universitária - Mestre em Administração e Blogueira nas horas vagas. Cada um tem a parte de mim que conquistou. Sou mulher, fera, amiga, bruxa e fada. Só não sou obrigada.

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