Proseando

Infidelidade

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Querida leitora, O trauma não foi unicamente infidelidade, mas a deslealdade tanto do ex-marido quanto da amiga do trabalho, que frequentava a casa de vocês. O que dói é que parece que ela roubou a sua história e narrativa, casando com ele e tendo um filho igual. Fica com a impressão de ter sido substituída. Como se a dublê da aventura houvesse assumido o papel da protagonista nas cenas românticas. O cenário e o contexto permanecem os mesmos, só você é que saiu de cena. Tal uma morte simbólica, a ponto de não considerar que existe mais. O casal herdou tudo o que construiu de família e precisa assistir a sua ausência em vida. É justamente esse desaparecimento fulminante que não suporta, fundo de sua maior desvalia. Como se tornou tão descartável de uma hora para outra? O que dificulta até conversas regulares com o pai de seu filho. Porque acha mesmo que ele sempre estará enganando-a ou transferindo a afeição secretamente a alguém ou priorizando a criança da nova relação. O que você precisa? Coragem para pedir ajuda e se blindar da comparação. Como fez comigo e agradeço a confiança. Encontrar um terapeuta de conversas periódicas para limpar a ferida, organizar as suas dores, para não mergulhar na culpa de tal modo que não se julgue boa o suficiente, para desalojar o antigo companheiro como ideal de felicidade. É entendendo o nosso lugar, os nossos desejos, que criamos um espaço fixo, jamais refém de favor em espaços alheios. Use a raiva para renascer. Para cumprir projetos e planos adiados da juventude. Para buscar realmente o que merece: a confiança da sua própria liberdade. Que nunca mais dependa de ninguém, de nenhum amor, de nenhum homem, de nenhum fiador. O brilho virá de dentro e ofuscará todas as mágoas.

Abraço, Fabrício Carpinejar.

Professora universitária - Mestre em Administração e Blogueira nas horas vagas. Cada um tem a parte de mim que conquistou. Sou mulher, fera, amiga, bruxa e fada. Só não sou obrigada.

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