Proseando

A toalha na cabeça

Não me envaideço de saber fixar a gravata, ou mesmo de amarrar os cadarços de forma a não me preocupar com os sapatos durante o dia, ou ainda de cumprir um nó de marinheiro para salvar os varais das roupas.

Porque eu fico abismado com a toalha amarrada nos cabelos da minha esposa. Aquilo que é ciência, aquilo que é capricho de escoteira, aquilo que é evolução do conhecimento.

Mal consigo firmar a toalha na minha cintura quando saio do chuveiro. Minha competência com o pano não dura nem cinco metros de caminhada. Logo ele cai e me vejo envergonhado.

Por sua vez, ela pode dançar headbanging do rock metal, balançar freneticamente o rosto, correr na esteira, que não sofrerá com o deslizamento. É um turbante glorioso, de amarração incontestável.

De manhã cedo, já me encontro preso aos seus mistérios. Ela faz a minha cabeça com o seu passeio pela casa. Com deleite, observo os seus movimentos pela cozinha (tomará suco verde), pela sala (vai ler os jornais), pelo closet (escolherá as roupas do trabalho).

O que não conto para ela é que inspiro a toalha assim que ela larga no cabide do box. É o meu buquê diário, com o perfume concentrado e irresistível do xampu.

Com três fungadas fundas, estou pronto para escrever. Sou um cheirador da fragrância de seus banhos.

Fabrício Carpinejar

Professora universitária - Mestre em Administração e Blogueira nas horas vagas. Cada um tem a parte de mim que conquistou. Sou mulher, fera, amiga, bruxa e fada. Só não sou obrigada.

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